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Ponto de Vista A palavra escapou a Sócrates, no calor do debate parlamentar: as medidas de ataque ao enriquecimento ilícito propostas pelo deputado João Cravinho não foram aceites pelo governo porque eram “uma asneira”. A conciliação só interessa ao ladrão! Vladimiro Guinot Segundo o Governo, é necessário libertar os Tribunais do Trabalho do maior número possível de “processos menores”, permitindo acelerar a resolução dos conflitos laborais de maior complexidade, nomeadamente aqueles que resultam dos acidentes de trabalho. Novo passo na liquidação da indústria vidreira Licínio Sousa Mais duas fábricas de vidro cessaram a produção nos últimos meses: a Marividros, da Marinha Grande, e a Dâmaso, da Vieira de Leiria, mandando para a rua, respectivamente, 180 e 400 trabalhadores. Em breve, da vidraria manual que fez a história da Marinha Grande só irão sobrar meia dúzia de pequenas empresas. António Barata Terminou no dia 5 de Janeiro o período de discussão pública do Anteprojecto do Plano para a Integração dos Imigrantes, do ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e as Minorias Étnicas). Discussão pública que foi um mero pró-forma, de um arremedo de democracia, visto que, a 18 de Dezembro, muito antes de terminar o prazo para a consulta pública já o governo havia apresentado ao parlamento o Plano Nacional de Acção para a Integração dos Imigrantes e já este fora aprovado. Referendo sobre o aborto A hipocrisia dos privilegiados Ana Barradas Anualmente 20.000 mulheres recorrem ao aborto clandestino. 360.000 mulheres entre os 18 e os 49 anos já o fizeram. Milhares de outras ficaram com sequelas psicológicas e físicas, incluindo a esterilidade permanente. Referendo sobre o aborto Manuel Raposo Quando, em Outubro do ano passado, o cardeal patriarca de Lisboa sugeriu que a Igreja se absteria de fazer campanha no referendo sobre a despenalização do aborto, houve quem pensasse que a Santa Madre optaria por uma posição neutral, ou mais moderada. Puro engano. Em Novembro, a Conferência Episcopal Portuguesa ditou a táctica, desautorizando o cardeal e avançando com argumentos medievais. Ficou assim dada ordem de soltura às vozes mais cavernícolas, como a do bispo transmontano que comparou o aborto à execução de Saddam Hussein; ou a desse outro que ameaçou de excomunhão automática e de privação de enterro religioso os católicos que votem sim. (...) A aventuras iraquiana está perdida para os EUA Manuel Raposo Depois de pedir sugestões a quase meio mundo, a presidência norte-americana decidiu-se pelo caminho que os “duros” preconizavam: enviar mais tropas para o Iraque. O poder norte-americano sabe que está a perder a guerra mas não quer aceitá-lo e tenta o impossível para virar o rumo dos acontecimentos. Não tendo perspectivas de vitória, pelo menos procura gerir a derrota. O seu objectivo é salvaguardar o essencial dos interesses que disputou no Iraque com a invasão. (...) O assassinato de Saddam Hussein Manuel Vaz (em Paris) O enforcamento de Saddam Husein, após uma mascarada de julgamento encenada pelo governo fantoche de Nouri al-Maliki, foi sentido pelos povos árabo-muçulmanos e por esse mundo fora como um novo crime da tirania americana. Ao convocar eleições antecipadas, o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, franqueou um novo passo em direcção a um golpe de Estado para derrubar o governo do Hamas e esmagar a corrente combativa palestiniana. A chefiar esta manobra, os Estados Unidos e Israel, decididos a pôr um ponto final na resistência. Mas o desenlace desta nova provocação é incerto. (...) América Latina: “Nova era revolucionária?” Francisco Rodrigues De novo, muitos olhos se voltam com esperança para a América Latina. A “revolução bolivariana” de Hugo Chávez na Venezuela, e a vitória de Evo Morales na Bolívia anunciam uma nova onda de resistência ao despotismo ianque, põem em respeito as oligarquias, dão novo alento aos movimentos populares, rompem o isolamento de Cuba. Mais recentemente, a reeleição de Lula e a eleição de Daniel Ortega na Nicarágua, de Rafael Correa no Equador e de Michelle Bachelet no Chile avolumaram a ideia de um grande movimento continental. Há já nos meios de esquerda quem saúde com júbilo a nova “viragem à esquerda” e mesmo a “nova era revolucionária” na América Latina. (...) O atentado da ETA no aeroporto de Barajas não foi surpresa para quem tem acompanhado a situação nos últimos nove meses. Vinha a tornar-se claro que para o governo de Madrid a declaração de tréguas pela ETA foi vista, não como um passo para resolver o problema político em aberto no País Basco, mas como uma oportunidade de liquidar a ETA. Ao mesmo tempo que arrastava o processo sem atender nenhuma das reivindicações imediatas dos independentistas (anulação da lei de Partidos que ilegalizou Batasuna, reagrupamento dos presos políticos – são mais de 500 dispersos por cadeias de toda Espanha) e, pelo contrário, acentuava a repressão, o governo Zapatero dava para fora a imagem de que o processo estava a progredir. Com esta manobra esperava iludir a opinião pública, manietar a resistência e levar à desarticulação da ETA. (...) Já lá vai o tempo em que nos tratavam como “indígenas” Entrevista por Inês Rodrigues e Ana Barradas Kamel, jovem francês de origem argelina, é militante do MIB (Mouvement de l’immigration et des Banlieues) em Montpelier. Chamou a nossa atenção no Encontro Internacionalista Sokoa III, organizado pelo Batasuna no País Basco em Agosto passado, pelo seu modo incisivo de falar, sem o discurso político tradicional, sem retórica e directo ao assunto (...) Breve resposta a Ronaldo Fonseca Francisco Rodrigues A série de artigos com que Ronaldo Fonseca tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos dois anos, os seus pontos de vista nas páginas da P.O.* teve a vantagem de tornar mais claro o que nos separa e permitir um balanço às nossas diferenças. Breve resposta a M. Faria Porque não votar no PCP ou no BE? Francisco Rodrigues Escreve M. Faria que, na última eleição presidencial, a P.O. caiu num erro isolacionista e ultra-esquerdista ao não incentivar o voto em Jerónimo de Sousa ou em Louçã. “Estamos longe de um estádio insurreccional armado do proletariado”, argumenta, e portanto “a tarefa de consciencialização de massas exige que os levemos ao poder” [PCP e BE], visto que são efectivamente “candidatos da classe operária”, inimigos da grande burguesia e do imperialismo. (...) |
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